JBS, Petrobras e bancos disparam mais de 10% na semana; construtora salta 8% antes de prévia do 2° tri

JBS, Petrobras e bancos disparam mais de 10% na semana; construtora salta 8% antes de prévia do 2° tri

SÃO PAULO – O Ibovespa reduziu o movimento de alta nesta tarde, mas ainda fechou com ganhos de 0,29%, a 65.366 pontos, sustentado pela valorização das ações das commodities e bancos. Com o noticiário mais positivo para o governo, o índice conseguiu emplacar alta de 4,88% nesta semana, na melhor desde abril de 2016 (quando subiu 5,84%), com apenas 4 das 58 ações figurando no campo negativo. Já do lado das maiores altas, apareceram os papéis da JBS, Petrobras, Banco do Brasil e Bradesco.

Neste pregão, lideraram os ganhos as ações da MRV Engenharia, após analistas verem com bons olhos os dados prévios do 2° trimestre. Fora do índice, as ações da Gafisa dispararam 8% antes da divulgação dos números, previstos para serem reportados após o fechamento do pregão. Na sequência, figuraram os papéis da Klabin, Cemig e Vale. Do outro lado, Eletrobras ON, Lojas Renner e Marfrig apareceram entre as maiores quedas.

Fora do índice, destaque para mais três ações: Senior Solution, Triunfo e Randon, que fecharam com ganhos entre 6% e 8%.

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa:

Petrobras (PETR3, R$ 13,62, +0,52%;PETR4, R$ 13,05, +1,40%)

As ações da Petrobras tiveram sua quarta alta em cinco pregões, encerrando a semana como uma das maiores altas do Ibovespa (PETR4: +9,39% no período). O movimento seguiu a cotação do petróleo. Hoje, os contratos do petróleo WTI subiram 1%, US$ 46,54 o barril, acumulando na semana alta de 5,2%.

No radar, a Petrobras anunciou nesta sexta-feira um novo reajuste de preços nos combustíveis. Segundo a estatal, será feito um corte do preço médio nas refinarias em 1,9% para a gasolina e uma queda de 0,7% para o preço do diesel. Os novos preços entram em vigor a partir da meia-noite deste sábado (15).

Esta foi a nona revisão de preço de combustíveis desde que passou a adotar a política de reajustes diários, no dia 30 de junho.

A empresa argumenta que, com a possibilidade de reajustar diariamente os preços, tem mais ferramentas para competir com as empresas importadoras, que estão ganhando espaço no mercado brasileiro.

Vale (VALE3, R$ 29,52, +1,17%; VALE5, R$ 27,80, +1,39%) e siderúrgicas

As ações da Vale subiram nesta sessão, apesar do dia de leve queda do minério de ferro. A commodity negociada no porto de Qingdao, na China, fechou em queda de 0,26%, a US$ 65,74 a tonelada, nesta sexta-feira.

Acompanharam o movimento positivo da Vale as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 21,40, +0,99%) – holding que detém participação na mineradora -, enquanto as siderúrgicas encerraram entre poucas perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,94, +0,18%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,00, -0,40%), CSN (CSNA3, R$ 7,77, +0,52%) e Usiminas (USIM5, R$ 5,00, -0,40%).

No radar das siderúrgicas, ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está considerando cotas e tarifas para lidar com o “grande problema” do dumping de aço da China e outros países. Os comentários de Trump fazem parte de uma promessa de campanha para ajudar a reavivar diversos setores industriais nos Estados Unidos, inclusive o siderúrgico.

Segundo analistas do Credit Suisse, em um primeiro momento, o anuncio da Seção 232 deve levar os investidores a ficarem mais otimistas com as siderúrgicas americanas e negativos com as europeias. No entanto, eles apontam que, conforme comentado essa semana, a Europa deve também implementar alguma medida para se proteger e evitar um potencial deslocamento da oferta que era para os EUA para a Europa. Outras regiões do mundo devem ser vistas com cautela, caso outro país não implemente medidas de protecionismo, complementam.

Bradesco (BBDC3, R$ 29,99, +1,18%; BBDC4, R$ 29,70, +0,10%)

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aceitou a proposta para encerrar um processo contra o Bradesco e os executivos Robert John Van Dijk e Denise Pavarina, com o pagamento de R$ 1,5 milhão.  O caso é relacionado ao Bradesco Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento Curto Prazo Fácil.

A área técnica da autarquia responsabilizou os envolvidos por manter a taxa de administração em “patamar incompatível com os objetivos de investimento, inviabilizando que a rentabilidade do fundo se aproximasse aos objetivos previstos em regulamento”. A área também avaliou que suas práticas feriram a relação fiduciária entre administrador e gestor e cotistas.

Os acusados apresentaram ao diretor relator do caso, Henrique Machado, proposta conjunta de termo de compromisso para pagamento à CVM de R$ 450 mil. Deste total, R$ 300 mil seriam pagos pelo Bradesco e R$ 75 mil por cada um dos diretores.

Verificando que havia outro processo administrativo sancionador em curso com acusação similar, os acusados apresentaram nova proposta de pagamento à CVM no montante de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 1,1 milhão pelo Bradesco e R$ 200 mil para cada um dos diretores.

Já o Estadão informa que o primeiro plano de demissão voluntária do Bradesco, anunciado ontem, deve alcançar ao menos 5 mil colaboradores e, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal,  chegar a 10 mil funcionários, em uma estimativa de adesão maior. O programa começa no próximo dia 17 de julho e vai até 31 de agosto.

Segundo o BTG Pactual, a iniciativa é boa e pode minimizar o impacto da queda de juros e, consequentemente, o desempenho fraco de NII (margens financeiras, na sigla em inglês) em 2018.

MRV Engenharia (MRVE3, R$ 13,84, +3,28%)

As ações da MRV subiram forte após bons dados operacionais no segundo trimestre.  A companhia informou que seus lançamentos atingiram R$ 1,332 bilhão em valor geral de vendas (VGV) entre abril e junho, alta de 18,6% em relação aos mesmos meses do ano passado. Esse foi o recorde de lançamentos da companhia em um segundo trimestre. Todos os novos imóveis ofertados do trimestre se enquadram em opções de financiamentos com recursos do FGTS.

Já as vendas líquidas da MRV atingiram R$ 1,167 bilhão no segundo trimestre, expansão de 11,9% na comparação anual. Essa performance é resultado de avanço de 7,1% das vendas brutas, para R$ 1,450 bilhão, e queda de 9,2% dos distratos, para R$ 282,6 milhões.

A MRV também reportou geração de caixa de R$ 105 milhões no segundo trimestre deste ano, baixa de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse foi o 20º trimestre consecutivo com geração de caixa.

Segundo o BTG Pactual, os números operacionais foram bons, combinando com crescimento de lançamentos (+19% na comparação anual), vendas fortes (atingindo R$1,17 bilhão), queda nos cancelamentos (-9% na comparação), aumento dos repasses (+15% na comparação anual) e geração de fluxo de caixa livre acima das estimativas (de R$ 105 milhões, bem acima dos R$ 70 milhões previstos). Para os analistas do banco, o único ponto negativo foi a desaceleração da produção, uma vez que eles construíram 8.879 unidades (estável na comparação anual), o que deve segurar um crescimento mais forte da receita nesse trimestre. Eles reiteraram visão positiva no case, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,00.

O Itaú BBA também ressaltaram que os dados da MRV vieram acima do esperado, mantendo a recomendação “outperform” (desempenho acima da média) e reafirmando a ação como a preferida entre os players de baixa renda. Já a Citi Corretora elevou a recomendação da construtora para compra.

Eztec (EZTC3, R$ 19,18, +0,42%)

As ações da Eztec também sobem após dados prévios do segundo trimestre. A empresa mostrou que suas vendas líquidas atingiram R$ 40 milhões no período, crescimento de 38,2% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas líquidas no trimestre são resultado de vendas brutas de R$ 149 milhões e distratos de R$ 109 milhões. Já no acumulado do primeiro semestre, as vendas líquidas foram de R$ 49 milhões, recuo de 11,5%.

A companhia destacou que as vendas dos imóveis no estoque foram sensivelmente impactadas pela turbulência política. O resultado, entretanto, foi parcialmente compensado pela venda de unidades em lançamento. A incorporadora Eztec lançou, no segundo trimestre, seu primeiro empreendimento de 2017. O projeto batizado de Legittimo Vila Romana tem valor geral de vendas (VGV) de R$ 49 milhões e é composto por 54 apartamentos. Com isso, os lançamentos da companhia ficaram 45,9% abaixo do registrado no segundo trimestre do ano passado. No semestre, o recuo foi de 65,5%.

Para os analistas do Itaú BBA, os números foram modestos mas com melhoras operacionais. Eles mantiveram recomendação “outperform” para a ação, que segue como o nome preferido entre os players de média/alta renda.

Já o BTG Pactual destacou que os números foram fracos, mas conforme o esperado, ressaltando que apenas um lançamento aconteceu. Além do lançamento, as vendas foram fracas, com os cancelamentos afetando os dados da companhia. Ainda assim, os analistas do banco mantiveram a recomendação das ações em compra, com preço-alvo de R$ 19,00.

Senior Solution (SNSL3, R$ 21,85, +7,74%)

As ações da Senior Solution disparam 18% em 3 pregões – renovando máxima histórica na bolsa. O movimento é acompanhado por um forte volume financeiro, que atinge R$ 486 mil, contra média diária de R$ 195,4 mil dos últimos 21 pregões. No mês, a alta é de 28%.

Duas boas notícias aparecem no radar da empresa esta semana e ajudam a puxar essa alta: a B3 deferiu o pedido da Senior Solution para migração ao Novo Mercado; e o conselho de administração da empresa aprovou a obtenção de um novo financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no valor de R$ 23,4 milhões. Segundo Thiago Rocha, Diretor de Relações com Investidores, os recursos serão utilizados para acelerar o crescimento orgânico da empresa.

Comgás (CGAS5, R$ 47,13, +0,06%)

A multinacional Shell pôs à venda sua participação de 17,12% na Comgás, afirma o Estadão citando duas fontes a par do assunto. O valor da participação minoritária da petroleira no negócio é estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

Para o BTG Pactual, a notícia parece estranha. A Shell é minoritária na Comgás, onde a Cosan tem 60% de participação. Em setembro desse ano, ela terá a opção de vender essas ações para a Cosan e receber 30 milhões de ações CSAN3 em troca. Nos preços atuais esse trade está razoavelmente dentro do dinheiro, comentam os analistas do banco. Além disso, essa opção só poderá ser exercida daqui mais de 2 meses.

Itaúsa (ITSA4, R$ 9,21, -0,22%)

A Itaúsa aprovou a emissão de R$ 1,8 bilhão em notas promissórias. A segunda emissão de notas promissórias da companhia será feita em 3 séries, segundo comunicado ao mercado. Cada série será de R$ 600 milhões. A primeira série terá prazo de 1.826 dias, a segunda 2.191 dias, e a terceira, 2.557 dias. A remuneração será de 106%, 107% e 108% da variação do DI, respectivamente. De acordo com a companhia, os recursos serão destinados à realização de investimentos. Vale destacar que, nesta semana, a Itaúsa fechou em conjunto com a Cambuhy e a Brasil Warrant a compra da Alpargatas por R$ 3,5 bilhões.

Transmissão Paulista (TRPL4)

A Transmissão Paulista e a Isolux Energia submeteram ao Cade análise de negócio que envolve aquisição de participação societária no setor de trasmissão de energia elétrica. A divulgação do pedido de análise é feita no Diário Oficial; o documento tem acesso restrito no Cade até o momento.

Profarma (PFRM3, R$ 8,19, +2,38%)

As ações da Profarma deram continuidade à alta recente, após a empresa informar que concluiu que, diante do atual cenário macroeconômico e das incertezas políticas vivenciadas no Brasil, não se justifica a realização de uma oferta pública de distribuições de ações de sua emissão. Em 21 de junho, a companhia afirmou avaliar alternativas de captação, inclusive oferta de ações. Essa é a quarta alta seguida das ações, que acumulam no período valorização de mais de 15%. No dia 10 de julho, os papéis bateram o menor patamar desde maio de 2016.

Taesa (TAEE11, R$ 22,83, -2,10%) e Cemig (CMIG4, R$ 9,00, +2,16%)

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa) celebrou um acordo para ficar com ativos que hoje pertencem à sua maior acionista, a Cemig. Serão repassadas para a Taesa as participações detidas pela estatal mineira nas transmissoras Transleste, Transudeste e Transirapé, que em conjunto foram as Transmineiras.

Pela transferência, a Taesa pagará à Cemig R$ 76,71 milhões. Ainda pode ser pago um valor adicional de R$ 11,786 milhões, caso as Transmineiras tenham decisões favoráveis em processos judiciais que estão em curso.

O valor principal será corrigido pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e por 100% dos Depósitos Interfinanceiros (DI), a partir de 1º de janeiro de 2017. O valor adicional será corrigido pelo DI, também acumulado a partir de 1º de janeiro. Essa reestruturação ainda terá que ser aprovada pelos acionistas da Taesa em assembleia, e terá que passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Ainda sobre Cemig, o Goldman Sachs elevou a recomendação para as ações de venda para neutra, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 7,50 para R$ 9,90.

Fonte: InfoMoney

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